27 fevereiro 2007

Que...

Hilda Hilst

X

Que te demores, que me persigas
Como alguns perseguem as tulipas
Para prover o esquecimento de si.

Que te demores
Cobrindo-me de sumos e tintas
Na minha noite de fomes
Reflete-me. Sou teu destino e poente.
Dorme.

14 fevereiro 2007

Yo soy...


Yo soy ardiente, yo soy morena,
Yo soy el símbolo de la pasión:
De ansia de goces mi alma está llena,
- ¿A mí me buscas? - No es a ti; no.

- Mi frente es pálida; mis trenzas de oro;
Puedo brindarte dichas sin fin;
Yo de ternura guardo un tesoro.
- ¿A mí me llamas? - No; no es a ti.

Yo soy un sueño, un imposible
Vano fantasma de niebla y luz;
Soy incorpórea, soy inatingible;
No puedo amarte - ¡Oh, ven; ven tú!


Gustavo Adolfo Bécquer

02 fevereiro 2007

Cheiro de Amor

Cheiro de amor - Maria Bethânia

De repente fico rindo à toa sem saber por que
E vem a vontade de sonhar de novo te encontrar
Foi tudo tão de repente, eu não consigo esquecer
E confesso tive medo, quase disse não

Mas o seu jeito de me olhar, a fala mansa meio rouca
Foi me deixando quase louca já não podia mais pensar
Eu me dei toda para você
De repente...

E meio louca de prazer lembro teu corpo no espelho
E vem o cheiro de amor, eu te sinto tão presente...
Volte logo meu amor

27 janeiro 2007

Arte...


…quando dou, não tomo

multiplico, somo

amo, mas não domo


[…]quando eu dou, eu como…


Sílvia Sangirardi

19 janeiro 2007

Poetando...

Poetando - Vânia Sousa

Em meio ao leito
envolto em poemas
embebido da lua
ladeado de estrelas

Resmungando palavras
resgatando belezas
resvalando a língua
na linguagem da pena

Segue paciente seu destino
serve-se escrevendo
linhas de então

Breve se vê o artista menino
brincando de poetar
na palma das mãos.

15 janeiro 2007

Declarando...

Se não vos vejo - Hilda Hist

Vos sinto por toda parte.
Se me falta o que não vejo
Me sobra tanto desejo
Que este, o dos olhos, não importa.

(Antes importa saber
Se o que mais vale é sentir
E sentindo não vos ver).

São coisas do amor, senhor,
Desordenadas, antigas.
E são coisas que se inventam
Pr'a se cantar a cantiga.

Não são os olhos que vêem
Nem o sentido que sente.
O amor é que vai além
E em tudo vos faz presente.

08 janeiro 2007

Férias...

Como é bom estar em férias...acho que até esse meu cantinho está entrando na onda...rs


Banho-maria - Roseana Murray

Amor não deve ser mantido
Em banho-maria
Pois seus poderes
De luz e encantamento
Se esvaem neste lento cozinhar
Amor pede fogo alto
Grossas chamas
Sol intenso
E muita pimenta
Amor pede tempero forte
Pede tudo em exagero
Mel de se lambuzar.

02 janeiro 2007

Desabrochando...

Nada melhor do que começar o ano desabrochando com muito amor!!!

Transforma-se o amador na coisa amada - Luís de Camões

Transforma-se o amador na coisa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está ligada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,

Está no pensamento como idéia;
[E] o vivo e puro amor de que sou feito,
Como matéria simples busca a forma.


A todos, lindos dias neste novo ano que se inicia.

22 dezembro 2006

Final de ano...


Venho aqui hoje e valho-me das palavras de uma escritora a qual aprecio muito. Desejo a todos que passaram por aqui, nesse ano, um lindo Natal, repleto de paz, amor, saúde e muitas felicidades, momentos mágicos com as pessoas amadas, carinho entre entes queridos, enfim, tudo de bom a todos que compartilharam comigo deste ano que está quase terminando. E que 2007 chegue leve e traga-nos deliciosas surpresas.


Efêmero - Letícia Thompson

Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é efêmera, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar foraas oportunidades que temos de ser e de fazer os outros felizes.
Muitas flores são colhidas cedo demais. Algumas, mesmo ainda em botão.
Há sementes que nunca brotam e há aquelas flores que vivem a vida inteira até que, pétala por pétala, tranqüilas, vividas, se entregam ao vento.
Mas a gente não sabe adivinhar. A gente não sabe por quanto tempo estará enfeitando esse Éden e tampouco aquelas flores que foram plantadas ao nosso redor.
E descuidamos.
Cuidamos pouco.
De nós, dos outros.
Nos entristecemos por coisas pequenas e perdemos minutos e horas preciosos.
Perdemos dias, às vezes anos.
Nos calamos quando deveríamos falar; falamos demais quando deveríamos ficar em silêncio.
Não damos o abraço que tanto nossa alma pede porque algo em nós impede essa aproximação.
Não damos um beijo carinhoso "porque não estamos acostumados com isso" e não dizemos que gostamos porque achamos que o outro sabe automaticamente o que sentimos.
E passa a noite e chega o dia, o sol nasce e adormece e continuamos os mesmos, fechados em nós. Reclamamos do que não temos, ou achamos que não temos suficiente.
Cobramos.
Dos outros. Da vida. De nós mesmos.
Nos consumimos.
Costumamos comparar nossas vidas com as daqueles que possuem mais que a gente.
E se experimentássemos nos comparar com aqueles que possuem menos? Isso faria uma grande diferença!
E o tempo passa...
Passamos pela vida, não vivemos.
Sobrevivemos, porque não sabemos fazer outra coisa.
Até que, inesperadamente, acordamos e olhamos pra trás. E então nos perguntamos: e agora?
Agora, hoje, ainda é tempo de reconstruir alguma coisa, de dar o abraço amigo, de dizer uma palavra carinhosa, de agradecer pelo que temos.
Nunca se é velho demais ou jovem demais para amar, dizer uma palavra gentil ou fazer um gesto carinhoso.
Não olhe para trás. O que passou, passou. O que perdemos, perdemos. Olhe para frente!
Ainda é tempo de apreciar as flores que estão inteiras ao nosso redor.
Ainda é tempo de voltar-se para Deus e agradecer pela vida, que mesmo efêmera, ainda está em nós.
Pense!...
Não o perca mais!...

14 dezembro 2006

Aprendendo...

Saber-se insuficiente multiplica a dor quando há também a certeza da total entrega, quando se acreditou, compartilhou, confiou achando que poderia ser diferente, especial, pra sempre.
Entregar-se é bom, mas quando alguém está pronto para acolher-te verdadeiramente é melhor.
Perder-se pode ser muito bom, mas quando há alguém para encontrar-te é que vale a pena.
É por isso que, depois de alguma decepção a gente acha que os sinais não devem ser ignorados, mas não seria paranóico dar razão a qualquer sinal?
Talvez precisemos estar atentos à repetição das sensações, afinal o resultado de várias situações remete-nos a um instante mínimo de intuição. Medir as palavras, pisar em cascas de ovos, andar abraçado à cautela já não são apenas atitudes preventivas, mas também de preservação do eu, pois quem queimou a língua uma vez não esquece de soprar à sopa.
Amar é muito bom, mas você vai aprendendo que não existem dias, locais ou ocasiões e sim aquela pessoa que faz qualquer momento ser mágico, insubstituível, inesquecível. É quando o ontem, o agora e o amanhã tornam-se muito pouco para viver tamanho sentimento...


28 novembro 2006

Volvendo...


Eita correria boa de final de ano, apesar de estar de férias da faculdade, haja trabalho para ocupar meu tempo, mas não posso deixar de passar por aqui, sinto falta quando não posto, apesar de não estar escrevendo, mas logo estarei 'totalmente' de férias... rs... e aí sim quero dedicar-me mais à minha arte.
Comecei algo, há algumas semanas, transformou-se nisto que posto para vocês hoje... espero que gostem.

Sede literária - Vânia Sousa

A sede do meu ser não cessa,
anda desidratada da saliva dos poetas:
líquido escorrido que em vermelho expressa
o sangue pulsante da veia poética.

Esfomeada arte, não satisfeita,
desnutrida pela reles rima que é feita,
quer o talho da carne dilacerada
expondo o corpóreo sentido na palavra.

Subvertendo entre linhas desconexas
tateando carícias em páginas entreabertas
ouvem-se súplicas à quintessência do poeta.

Essência-seiva que deveras alimenta
jorra em minha’lma que de ti anda sedenta
devolve-me à era da literária cadência...

Despeço-me com gosto de quero mais e de uma breve ausência. Beijo a todos!

16 novembro 2006

Desejo...


Nalgum lugar – Zeca Baleiro

Nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a primavera abre
tocando sutilmente, misteriosamente a sua primeira rosa.

Ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua intensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

Não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas...

Restinho de semana, que a sexta-feira chegue logo!!! E a todos, lindos dias!

12 novembro 2006

Posterior...


"Todos devem deixar algo para trás quando morrem: um filho, um livro, um quadro, uma casa ou parede construída, um par de sapatos. Ou um jardim. Algo que sua mão tenha tocado de algum modo, para que sua alma tenha para onde ir quando você morrer. E quando as pessoas olharem para aquela árvore ou aquela flor que você plantou, você estará ali. Não importa o que você faça, desde que transforme alguma coisa, do jeito que era antes de você tocá-la, em algo que é como você depois que suas mãos passam por ela.
A diferença entre o homem que apenas apara gramados e um verdadeiro jardineiro está no toque. O aparador de grama podia muito bem não ter estado ali; o jardineiro estará lá durante uma vida inteira".

Trecho do livro Fahrenheit 451

A todos, uma excelente semana!!!

07 novembro 2006

Divagações...

Final de semana, reencontro dos amigos, papo-cabeça e algumas reflexões intrigantes. Gosto muito de ouvir as divagações de meus amigos, mas na hora só consigo ouvir. As palavras entram em mim, reverberam-me o corpo todo, parece um remédio que você toma e tem de esperar o efeito, depois de algum tempo elas voltam e formula-se então minha opinião. O que mais intrigou-me foi uma questão: "Qual o sentido da vida?", ao que minha amiga afirma que a vida não tem nenhum sentido.
Eu concordo. Sentido lógico a vida não tem mesmo: a gente nasce e ninguém sabe como, cresce aprendendo a viver e morre também sem saber para onde vamos ou o que será de nós, não gosto de pensar que simplesmente deixaremos de existir, mas também é complicado pensar que voltaremos como alguma florzinha, um animalzinho, uma pedra ou até mesmo alguma outra pessoa. Nem sei o que prefiro pensar, mas tem gente que ignora, não é? Nem pensa sobre isso. Mas a morte é um fato inerente à vida, todos passaremos por isso (ou estagnaremos aí), não temo o que virá, é apenas uma curiosidade.
Mas, quanto ao sentido da vida, se ele existe ou não, para mim não faz diferença, a vida é o que temos, sabemos o que nos dá prazer e acho que buscar o que nos faz bem pode ser tido como uma meta, mesmo que ao final, nada disso tenha um sentido prático ou lógico, no entanto, teremos sido felizes, terá sido bom, e é isso o que importa.

01 novembro 2006

Gato pra puxar pelo rabo...

Vem - Vanessa da Mata

Vem
Que eu sei que você tem vontade
que eu sei que você tem saudade de mim
antes que haja enfermidade
que eu não me recupere

Mas
Se decidir fazer surpresa
deixei as chaves embaixo do xaxim
comprei os doces que devora
acho que agora não vai resistir

Um espelho pra sua vaidade
dossel, pena de ganso,
é quase um romance
desligue nossos celulares
três dias pra um começo, vem...

Vem
Que eu sei que você tem vontade
eu sei que você tem saudade de mim
antes que haja enfermidade
que eu me desespere...

A todos um ótimo feriadão!!!

30 outubro 2006

Cumpleaños feliz...


Mais um ano que se passa e durante esse período mais uma infinidade de aventuras e experiências para relembrar por toda a vida.
Agradeço aos meus pais, ao meu irmão e minha cunhada, aos meus amigos que estiveram comigo ontem, comemorando adiantado essa data especial, a todos os outros amigos que não puderam e não poderão vir, mas lembram-se e mandam suas energias positivas, tornando ainda mais animada esta data especial.

O fato é que, hoje sim é que fico mais velha, aliás, mais velha não, mais “tudo”! Mais experiente, mais agradecida, muito mais amiga e companheira...
Em especial um abraço à amiga que deixa muitas saudades, principalmente ontem quando estive reunida com as meninas: Elaine (Bô), vê se volta logo e enquanto está aí continue rezando por nós.
E a uma pessoa muito especial também que encontra-se no sul desse nosso país: saudade!!!
Parabéns aos amigos: Klleiton (29/10), Rosana (30/10) e Mariana (31/10) que também estão envelhecendo...hahaha
Beijos a todos e uma ótima semana.

26 outubro 2006

No embalo...

Tenho ouvido muito Falamansa, esse som me lembra muita coisa boa: praia, amigos, diversão...
Acho que estou com saudade da vida baileira, praieira, etc...rs

Oh! Chuva - Falamansa

Você que tem medo de chuva
você não é nem de papel
muito menos feito de açúcar
ou algo parecido com mel

Experimente tomar banho de chuva
e conhecer a energia do céu
a energia dessa água sagrada
que nos abençoa da cabeca aos pés

Oh! chuva
eu peço que caia devagar
só molhe esse povo de alegria
para nunca mais chorar.

E depois da chuva...

A todos um ótimo final de semana que promete, porque afinal de contas, segunda-feira será um dia especial...rs

21 outubro 2006

Sublime...

Para iluminar o final de semana e desejar que tudo seja leve, compartilho um pouco da arte que me transmite calmaria em tempos de aflição:


O segredo do futuro - Madredeus

O segredo do futuro,
É o amor
Um amor sublime e puro,
O belo amor
Só o amor
Resolve tudo numa esperança maior

Sem amor
O que foi grande é já menor
Sem amor
O que era bom ficou pior
Só o amor
Resolve tudo e traz a esperança até nós

Eu vejo o tempo a passar muito depressa

E ao longe essa esperança
Que sinto apagar
Chamou por mim
Para eu a chamar

A idéia de amor
Aconteceu
na estrada da Terra até ao Céu
A ideia de amor não se perdeu
E devolveu tudo o que se deu
A chave do futuro é dar de novo amor
A todo o "outro"...
O "outro" que és tu, e ele, e eu,
A sós neste mundo.

Tenham um ótimo final de semana.

18 outubro 2006

Inferno astral...

Nem acho que vale à pena conhecer, porque depois que fiquei sabendo o que era já é o segundo ano consecutivo que passo por ele...


Mas vai passar...

11 outubro 2006

Calafrio...

Finalmente chegou o feriadão! Pena não ter nada interessante para fazer nesses dias além de estudar, tenho de devorar em apenas duas semanas o conteúdo que deixei para ver na última hora, antes de um concurso que prestarei. Boa sorte pra eu...rs
Por outro lado, eu sabia que ainda teria uma esperançazinha no fim do túnel...rs...foi tão interessante mesmo com toda a certeza, sentir um calafrio ao perceber o contato. Agora só resta colocar os pingos nos is e ver como prossegue o barquinho pelo mar da vida...



Enchantagem - Paulo Leminski

de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo

esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima

de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito

pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito

que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar

tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade

o pau na vida
o vinagre
vinho suave

pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade


E não se esqueça: "Quando essa boca disser o seu nome, venha voando, mesmo que a boca só diga seu nome de vez em quando"...