31 maio 2006

Só mesmo a arte...

Foi luz e trevas, foi calor e frio, foi tudo e nada.
Encheu-me a consciência da minha insignificância,
De que nada posso e de que aquilo que quero não conta.
É hoje certeza de que o que possuo não é meu mas do destino.
E ontem, já só braseiro, alimentou-me a solidão,
Pois tu não estavas...
Ah, se os teus dedos pudessem limpar a fuligem dos meus olhos
E a tua boca varrer as cinzas que cobrem a minha,
Por baixo estaria um sorriso à tua espera
E sentir-me-ia compensada!
Vem! Depressa!

Maria Branco

26 maio 2006

Metalingüisticamente, ou não...




Compoema - Vânia Sousa

Não poeto,
nem poetizo...

Não componho,
nem concretizo...

Apenas compoemo,
compoetizo...






Arte mórbida – Vânia Sousa

Não mereço consideração
Nem tão pouco palavras suas
Nem quando abro o coração
Ou quando trago minha alma nua

Entendo sua razão
Para afastar minha procura
Desmerecida em minha paixão
Vago miúda por entre as ruas

Cruzando esquinas
Pisando em letras
Desfalecendo em rimas
Morrendo em poemas


A todos um belíssimo final de semana...


24 maio 2006

Desapego...

Como se fosses noite e me atirasses
uma corda de músculos e rosas.
Como se fosses noite e me deixasses
deslumbrado com todas as sombras,
com todos os silêncios,
com todos os passeios de mãos dadas com o impossível.

Com todos os minutos,
Os lentos, os belos, os terríveis minutos que se escoam com a angústia nas escadas.
Como se fosses noite e acordasses
todos os olhares furtivos aos bancos vazios,
todos os passos hesitantes que ninguém segue
mas que deixam na rua deserta,

na cidade ausente,
o arabesco triunfal de um arcanjo que passa,
o rasto vitorioso dum condenado que dança,
rindo dos deuses que o julgaram.

Ary dos Santos

21 maio 2006

Lya Luft

Dei uma geral no meu pc neste final de semana e encontrei mensagens preciosas, uma das que compartilho com vocês é a que segue. A todos um ótimo começo de semana.

Quase tudo mudou, mas a essência permanece a mesma: a nossa essência.
Vertiginosamente no século passado a sociedade mudou, a família mudou. Transformou-se a cultura, evoluíram tecnologia e ciências, tudo avança em uma velocidade inimaginável, há 50 anos.
Porém as emoções humanas não mudaram.
Nem ao menos somos originais. Nossos desejos básicos hão de ser os mesmos: segurança, afeto, liberdade, parceria; sentir-me integrado na sociedade ou na família, ser importante para meu grupo ou ao menos para uma pessoa – aquela que é o meu amor. Não preciso ser um rei para ser importante, mas devo me sentir apreciado.
Isso me determinará tanto quanto o primeiro olhar que incidiu sobre mim. Devo considerar capaz e merecedor, sem megalomania, sem alienação. Dentro do que está aí para que eu o escolha, o modifique, o faça meu.
Não tem a ver com dinheiro, posição social, nem com soberba, mas com o modo como somos avaliados – por nós e pelos que amamos. Minhas ações e desistências nascem desse conceito primeiro.
Não importa se sou operário, doméstica, motorista, camponês ou alto executivo, atriz vitoriosa ou obscura balconista: gosto de mim na medida em que acredito na minha dignidade, quero me expandir conforme meu valor. E também segundo o quanto acho que vale a pena esse salto, esse crescimento, essa entrega. Depende de minha confiança.
Isso tudo não se instalou em nós através de palavras ensaiadas para ocasiões especiais ou crises. Estrutura-se subliminarmente no convívio diário, paira no ambiente, brilha na pele (...).
(...) Se achar que não valho nada, serei nada. Deixarei que outros falem, decidam, vivam por mim. Porém, se acreditar que apesar dos naturais limites e do medo todo eu mereço uma dose de coisas positivas, vou lutar por isso.
Vou até permitir que os outros me amem.

Trecho do livro Perdas e Ganhos, de Lya Luft.

20 maio 2006

Meta...

Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.

Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
Eu digo: "Te amo!"
E você só acredita quando eu juro.

Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.

E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.

Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.

É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?


A seta e o alvo - Paulinho Moska

Ultimamente tenho ouvido muito esta música, nem sei bem o porquê, mas de épocas algumas músicas me pegam, atualmente está sendo essa.
Aos que por aqui passam deixo beijos e desejo a todos e um ótimo final de semana.

16 maio 2006

Amor...

Tema reduntante deste blog, porém eu não poderia deixar de postar um texto que li no livro Metafísica do Amor e Metafísica da Morte, de Arthur Schopenhauer. É um trecho do romance Guzman de Alfarache, de Mateo Aleman, o qual achei muito bonito:

No es necesario, para que uno ame, que pase distancia de tiempo, que siga discurso, ni haga elección, sino que com aquella primera y sola vista, concurran juntamente cierta correspondência o consonancia, o lo que aca solemos vulgarmente decir, uma confrontación de sangre, y que por particular influxo suelen mover las estrellas.

Tradução:
Para que alguém ame não é necessário que passe muito tempo, que empregue ponderação e faça uma escolha; mas apenas que, naquele primeiro e único olhar, encontre-se uma certa adequação ou concordância mútuas, ou aquilo que aqui costumamos vulgarmente designar como uma simpatia de sangue, e que com particular influxo move as estrelas.

11 maio 2006

Mensagens...

E há sempre mensagens que nos encantam. Minha amiga Cátia que me mandou esta e compartilho com vocês. Eu amo Saramago e adorei a indicação da mensagem...

Na ilha por vezes habitada - José Saramago

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer. Então sabemos tudo do que foi e será. O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam. Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos. Com doçura. Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites. Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mungo infatigável, porque mordeu a alma até os ossos dela. Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz. Cada um de nós é por enquanto a vida. Isso nos baste.

E como ando estudando bastante, encontrei em meio aos estudos algo que tenho certeza que minha amiga gostará...rs...pra você Cátia:


"Na verdade, não há prática que não tenha nela embutida uma certa teoria (...). Sem teoria, na verdade, nós nos perdemos no meio do caminho. Mas, por outro lado, sem prática, nós nos perdemos no ar. Só na relação dialética, contraditória, prática-teórica, nós nos encontramos e, se nos perdemos às vezes, nos reencontramos por fim".

Paulo Freire

09 maio 2006

Insônia...

A noite realmente faz com que os pensamentos inundem, ainda mais quando estimulados por um livro que li: Cem Escovadas Antes de Ir Para a Cama, de Melissa Panarello, fica aqui a dica para leitura e o poema que brotou do turbilhão de pensamentos, após as duas da manhã, que só quando anotei-o pude recuperar meu sono...


Vertigem - Vânia Sousa

A noite, na cama,
rolando, insana,
procuro, profana,
o teu desejar...

Me sinto covarde,
sofrendo em alarde,
temendo ser tarde,
voltar a te amar...

Sem sono revejo,
meu doce desejo,
teu corpo que almejo,
sobre mim a pesar...

Desperta-me e some,
deixando-me insone,
sem saber nem o nome
ao qual devo clamar...

Obs.: Não é à toa que até o horário do trabalho, hoje, eu perdi...rs

07 maio 2006

Paciência...

Tenho me deslumbrado com tantos sites que descobri, alguns já estão aqui linkados, outros estão por linkar, mas o que me agrada é perceber como há tanta diversidade e tanta coisa boa nesse mundo. Artistas que brincam, pintam e bordam com as palavras e me proporcionam horas de prazer ao lê-los.
Na falta de tempo para criar, sigo me inspirando ao espiar a criação dos vários talentos que vou encontrando ao longo do caminho e venho hoje aqui, na companhia de um artista que gosto muito: Lenine e aproveito para desejar a todos um ótimo começo de semana...


Paciência - Lenine

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não pára

Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara

Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência

O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência

Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára, a vida não pára não

04 maio 2006

Diferença...


Gente-Bicho ou Bicho-Gente?

A grande barra da
vida é que a gente é
gente

e sente como
qualquer bicho sente...

A grande barra de
gente é a solidão.

A diferença?

O bicho se basta.
A gente, não.


Olympia Salete Rodrigues

03 maio 2006

Ilusão...

(Ilusão - Abstracto Concreto)

Longe demais - Vanessa da Mata

Beijei seu rosto e guardei
Achei sincero e sem dúvida
Era quase de manhã, era madrugada
A noite esconde a cidade, você some
Será que é cria da noite e eu não sei
As horas cessaram naquela manhã que vem
E é outro dia

Será um desencontro e eu vou sozinha?
Ele não dá um sentimento
Será um jogo intenso que se anuncia
Ele ri e sabe o que faz?

Te quis pra minha vida, todo o tempo esperei
E a vida agora está em torno de você
Amanhã é longe demais
Pra quem não tem
Pra quem não sabe

Te quis pra minha vida, todo o tempo esperei
E vida agora está em torno de você
Amanhã é longe demais
Pra quem não tem a eternidade.

Mensagem subliminar: Inventei o teu rosto na palma da minha mão...

02 maio 2006

Memória...



Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

28 abril 2006

Léxico da Abolição...

Tema de uma dissertação que valeu como prova na faculdade, compartilho com vocês o texto que elaborei à cerca da abolição e da escravidão nos dias de hoje...

Escravos da imagem - Vânia Sousa

Há a escravidão que está diretamente ligada à manipulação da subjetividade das pessoas.
O desenvolvimento da sociedade propicia-nos cotidianamente conceitos de beleza, estética, personalidade, caráter, veiculados através da mídia e a manipulação da massa pode ser observada nos mínimos detalhes, é a poesia caótica da sociedade.
Se um artista aparece pesando “não sei quanto”, vestindo “não sei quem”, comendo “não sei o quê”, viajando para “não sei onde”, então os espectadores deste teatro de marionetes sentem-se incumbidos de uma missão: reverter seus rendimentos a fim de atingir o “status” desse artista, por que ele é “o cara” e dita os padrões necessários para uma vida “feliz”.
O lado visual geralmente sobrepõe-se a qualquer outro talento e nos tornamos monstros num mundo de tantos “corpos deslumbrantes, turbinados, belos”. A sociedade elege em quem se espelhar apenas pela embalagem e surgem então, os escravos desta imagem apolínea.
Porém, não só pelo prisma estético nossa sociedade é regida, mas muito mais pelos pré-conceitos de todos os cidadãos. Por exemplo: não é comum ver a ascensão de pessoas negras em nossa sociedade, um negro na gerência de uma empresa, na direção de uma escola, na presidência da república, pois já vêm vinculados a uma imagem negativa carregada de pré-conceitos. Sempre que estes conseguem tais conquistas, o fato é enfatizado tanto que parece algo surreal ou proibido. Há os que nem se arriscam, pois a pressão é tanta que, caso falhem, sentir-se-ão humilhados e, caso consigam, serão a exceção da regra, vistos com espanto e deboche pelos brancos que tudo podem.
Temos de regatar nosso caráter, nossa integridade, pois antes de brancos, pretos ou amarelos somos humanos. A igualdade social só será possível quando despirmo-nos de nossos preconceitos herdados por meios tão distorcidos, por informações mal usufruídas, por visuais vazios e degradantes, pois a beleza não se restringe apenas a um corpo escultural. O intelecto, a consciência, a responsabilidade das pessoas não são perceptíveis através da imagem de seus corpos, muito menos pela cor de suas peles.
Quando todos nos unirmos por uma causa comum, pela superação dos preconceitos, pela valorização do ser humano, para a melhoria das condições de vida de todos, não desprezando os menos abastados, não criticando os incapacitados, não excluindo os limitados, ao contrário, fornecendo chances de eles dignificarem suas condições de vida, capacitando-os através do fornecimento de opções para chegarem não só ao limite do que podem fazer, mas de superar-se e surpreenderem pelo tanto da capacidade que possuem e que pré-julgamos não possuírem veremos quanto tempo perdemos em vão.
Não basta jogar toneladas de informações, há que se preparar o estômago de quem irá digeri-las, a reflexão deve fazer parte do aprendizado das pessoas, já que muitos desaprenderam a pôr a mão na consciência antes de agir.
É necessária a abolição de pré-conceitos, pré-julgamentos e de pensamentos fúteis que só equiparam uma pessoa à outra através dos padrões equivocados de cidadãos aparentemente perfeitos vistos por uma sociedade sem qualquer senso crítico.

Acordei pensando numa frase, porém não sei se está correta e muito menos sei de sua autoria...rs...por isso coloco aqui, ainda sujeita a alterações:

"Quanto mais encontro dentro do coração, menos preciso fora dele"...

A todos um ótimo final de semana.

26 abril 2006

Traqüilidade...

Estou precisando de paz, tranqüilidade, calmaria...e esta música que compartilho com vocês me transmite isso, se não conhecem fica aqui a recomendação...

Haja o que houver - Madredeus

Haja o que houver
Eu estou aqui
Haja o que houver
Espero por ti
Volta no vento
Ô meu amor
Volta depressa
Por favor

Há quanto tempo,
Já esqueci
Porque fiquei,
Longe de ti
Cada momento é pior
Volta no vento
Por favor...

Eu sei quem és
pra mim
Haja, o que houver
espero por ti...

22 abril 2006

Feriado delicioso...

Como este mês de abril está sendo bom, não é? Fazer o que se gosta e estar com quem se gosta realmente é tudo de bom...Aproveito para compartilhar um texto lindo da Vanessa da Mata...deliciem-se também...

É fácil não querer saber, ter medo e fugir
Ser um personagem distante
É fácil beijar quem pouco te mexe
O difícil é tremer
Desejar demais, arder em febre
Ter medo do que não se conhece
De descontrolar-se, de se perder, de se esquecer
Mas seguir adiante
Gelar as mãos
Suar o rosto corado de sangue
Ridicularizar-se
Palpitar o coração
Expor-se frágil dama, sendo homem ou mulher, às dolorosas boas penas
Se dar e às vezes se jogar a um desconhecido qualquer
Num gosto antídoto, intenso
Gostar do atrevimento e do profundo irrompendo
Fazendo-se viver realmente em dobro
Perceber o que não se fazia perceber
É um cisco o provisório demais
Não ser radical e inteiro ao que pode o bem
O bom mesmo é viver a generosidade da entrega
Responder ao aperfeiçoamento que não havia ainda
A soma do que começa e do que finda
A vida e a morte quando se beija
Às vezes coragem é ficar de frente
Tremer e não correr perante o gigante
Se sentir inocente
Sonhar numa plenitude como se tivesse chegado a eternidade
E de nada mais importar-se
Falar palavras tontas numa dicção solene
Sentir o coração rebelde chocalhando, chamando, querendo, pedindo, independentemente
E então não resistir à fome que a alma e o corpo temem
Se ver na letra que a música grita, que antes, careta, não se suportava
Num susto se percebe docemente que agora existe um único sentido
Uma resposta em nenhuma pergunta
Tudo se torna dele
Das intensidades do amor que vão da angústia à felicidade
E é talvez a única arte que transmita ao homem em sua total integridade.

Mensagem subliminar: Quando voamos, entregando-nos assim, que parte de nós era parte de mim?

20 abril 2006

A dádiva da amizade...

A vida não seria a mesma sem amigos, não é mesmo? Como é bom poder compartilhar histórias, pensamentos, reflexões, ser ouvido, ouvir e poder opinar, essa troca de energias é muito gratificante e nos renova, amplia nossa visão de mundo, ameniza nossas agonias e tudo isso acontece assim, de forma simples, por pura afinidade, por carinho e o post de hoje é especial sobre um amigo que conheci a pouco tempo, porém que já faz parte das pessoas especiais que tenho conhecido ao longo do caminho...
Tarcilo, que até então me escondia sua arte, a habilidade que tem com as palavras, mas descobri e agora tu terás que me aguentar...rs

Ele me disse: talvez sejam só pó...emas andando a esmo.

Pois eu digo: pô...eta pernambucano danadinho esse!!!

(Adriano Bonari)

Faxina - Tarcilo de Brito Ramos

Preciso deter gente!
Esse sentimento, essa coisa à toa.
Colocarei meu coração num forte molho de Q-Boa.
Depois enxaguarei meus sonhos
num amaciante legal.

Amanhã quero Sol bem quente
pra secar minha alma
bem lavadinha,
pendurada no varal.

Vai, diz ao mundo
que meu coração
está fresco.

Isto é só uma amostra do que ele me escreveu...obrigada Tarcilo.

18 abril 2006

Sobre a vida...

Tenho lido muitos livros que abordam questões sobre a morte, a valorização da vida, afinal a morte é mesmo nossa única certeza neste mundo...estou adorando os livros recomendados por minha amiga Andréa, do escritor Irvin D. Yalom, autor de Quando Nietzsche Chorou e agora estou lendo A Cura de Shopenhauer, ambos muito interessantes e super bem elaborados, mesclando ficção e realidade, conceitos sobre psicanálise e filosofia que fazem qualquer ser humano refletir. Como no trecho:

(...) O que mais temos? O que mais senão aquele abençoado e milagroso intervalo de ser e estar consciente? Se algo deve ser homenageado e abençoado, deveria ser apenas isso, a incalculável dádiva do mero existir. Viver desesperado porque a vida acaba ou porque não tem outra finalidade maior ou desígnio intrínseco é pura ingratidão. Pensar num criador onisciente e dedicar a vida a um ajoelhar-se-sem-fim parece sem sentido. Além de um desperdício: por que dar todo esse amor a um fantasma, quando há tão pouco amor em volta da Terra? Melhor aceitar a solução de Einstein e Spinoza: apenas inclinar a cabeça e bater no chapéu para as elegantes leis e mistérios da natureza, mas tratar de viver. (...)

São abordagens fortes, objetivas e que jogam a realidade de maneira não muito delicada sobre todos os pensamentos fantasiosos que muitas vezes temos...Apesar de eu achar que, se não tendencionamos ao mal, qualquer forma de pensar e sonhos que são construídos, validados estão e respeitados também têm de ser, mas não devemos passar a vida inteira rogando, sonhando, planejando, pedindo, agradecendo apenas, temos que agir, interagir, intervir, ir e vir e batalhar para fazer desta nossa vida uma agradável via de comunicação com os demais, quando tudo está agradável passamos tanto tempo e nem sentimos, vemos os dias voarem e nos perguntamos onde vamos parar, mas a melhor coisa que podemos ter é o orgulho de olhar para trás e ver que só deixamos boas sementes, que plantamos belas árvores, que colhemos lindos frutos e que o tempo gasto com este nosso jardim da vida não foi inútil e sim, muito compensador e contagiou também outros seres...

(...) A vida é uma situação temporária, com uma solução permanente. (...)

O que pensam sobre isto???

17 abril 2006

Que frio...

Nossa...como está geladoooooooo...que segunda-feira terrível!!! Aqui onde trabalho só falta nevar...rs
Hoje está demais...para esquentar, escrevi algo...

Desejo-te - Vânia Sousa

Incontidas pelo desejo
Aquecidas no simples contato
Minhas mãos percorrem seu corpo
Sublime, macio, delicioso regaço...

Pele com pele, energia,
Olhos nos olhos, sintonia,
Entrelaçadas as pernas, melodia,
Embalando os prazeres emaranhados...

Tu apeteces-me sempre,
Em inusitados locais para amar,
Venha fazer-te presente,
Não me deixe sozinha a sonhar...

Sabem aquela frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"??? Pois, tenho plena consciência disso...

16 abril 2006

Páscoa preguiçosa...


Eita domingo bom!!! Cheio de preguiça, para descontrair um pouco, posto um texto que a-d-o-r-e-i e compartilho com vocês...a todos um ótimo domingão e um belo início de semana...

Vende frango-se – Martha Medeiros

Alguém encontrou esta pérola escrita numa placa em frente a um mercadinho de um morro do Rio: “Vende frango-se”. É poesia? Piada? Apenas mais um erro de português? É a vida e ela é inventiva. Eu, que estou sempre correndo atrás de algum assunto para comentar, pensei: isto dá samba, dá letra, dá crônica. Vende frango-se, compra casa-se, conserta sapato-se.

Prefiro isso aos “q tc cmg?” espalhados pelo mundo virtual, prefiro a ingenuidade de um comerciante se comunicando do jeito que sabe, é o “beija eu” dele, o “que vim aqui casa?” de tantos.

Vende carne-se, vende carro-se, vende geléia-se. Não incentivo a ignorância, apenas concedo um olhar mais adocicado ao que é estranho a tanta gente, o nosso idioma. Tão poucos estudam, tão poucos lêem, queremos o quê? Ao menos trabalham, negociam, vendem frangos, ao menos alguns compram e comem e os dias seguem, não importa a localização do sujeito indeterminado. Vive-se.

Talvez eu tenha é ficado agradecida por este senhor ou senhora que anunciou-se de forma errônea, porém inocente, já que é do meu feitio também trocar algumas coisas de lugar, e nem por isso mereço chicotadas, ao contrário: o comerciante do morro me incentivou a me perdoar. Esquecer o nome de um conhecido, não reconhecer uma voz ao telefone, chamar Gustavos de Olavos, confundir os verbos e embaralhar-se toda para falar: sou a rainha das gafes, dos tropeços involuntários. Tento transformar em folclore, já que falta de educação não é. Conserta destrambelhada-se. Eu me ofereço pro serviço. Quem não? Sabemos todos como é constrangedor não acertar, mas lá do alto do seu boteco, ele nos absolve. Ele, o autor de um absurdo, mas um absurdo muito delicado.

Vende frango-se, e eu acho graça é uma coisa boa, sinal de que ainda não estamos tão secos, rudes e patrulheiros, ainda temos grandeza para promover o erro alheio a uma inesperada recriação da gramática, fica eleito o dono da placa o Guimarães Rosa do morro, vale o que está escrito, e do jeito que está escrito, uma vez que entender, todos entenderam. Fica aqui minha homenagem à imperfeição.

12 abril 2006

Páscoa...

Depois da tempestade sempre vem...


a reflexão...

Pra Sempre em Minha Vida - Grupo Tradição


Pra te adorar assim com tanta loucura,
eu te darei todo o amor que tem na terra...
te presentear com um beijo sobre a lua,
apaixonado como o céu e as estrelas...

E te darei todas as noites
meus versos sinceros, a minha alegria,
serei seu poeta amor,
você será, a minha poesia...

Quero que seja pra sempre em minha vida,
eu quero te dar todo o amor que tem na terra...

Eu vou te amar todo dia em qualquer canto,
você é a flor o meu sonho mais bonito...
vou te roubar em segredo à noite,
juntos iremos até o infinito...

Te quero a todo o instante, não importa
vou te amar até o fim do dia...
você é minha vida, meu amor,
minha princesa, é tudo que eu queria...


A todos que por aqui passam, desejo uma